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Cultura em xeque

A Cultura e o “Poder” Público

Uma retórica de Ada Anjoss


Uma retórica de Ada Anjoss

Por Ada Anjos

@ada.anjoss

O artista, de qualquer segmento, deve desenvolver arte e cultura por conta própria, ou o governo tem sua parcela de responsabilidade? Quais são os desafios de produzir arte e ser artista sem a participação dos órgãos competentes?

O poder público (seus agentes: prefeito, vereadores, secretários etc.) é composto por funcionários da sociedade organizada. O bom salário deles é sustentado por cada cidadão municipal contribuinte, com o objetivo de amparar as estruturas básicas e fundamentais do desenvolvimento social: moradia, educação, saúde, segurança, entre outras, e também arte e cultura.

Por que os funcionários do povo (políticos) querem receber seu salário ao final do mês sem trabalhar ou realizar ações coerentes com suas funções? O que significa ter uma função e exercê-la de forma incoerente? É fazer as coisas, propositalmente ou por ignorância, de maneira pessoal, em vez da forma que a situação exige.

Sem médicos, urbanistas, artistas, policiais e tantos outros, os políticos não teriam como atuar. Mas, se há profissionais capacitados, por que os setores básicos da ordem e do progresso de um município não se expandem nem prosperam? Porque é mais fácil obter vantagens às custas de um povo sem instrução, quieto, pacífico, que entrega tudo nas mãos de Deus.

Vejo um povo aparentemente satisfeito por ganhar um “pirulito”, um agrado simbólico, quando a cultura é interpretada exclusivamente como festas de rua. E vejo “artistas” que não vivem da profissão satisfeitos em tocar de graça para o poder público, ou por cachês irrisórios, como duzentos ou trezentos reais; ou ainda trabalhando em secretarias de cultura e sendo, na prática, obrigados a usar seu talento gratuitamente, embora isso não componha as atribuições de suas funções.

O artista deve, sim, iniciar sua produção. Mas o governo precisa do artista como parceiro, não como empregado, para disseminar uma cultura que vá além do entretenimento e atue como força de transformação social.

Políticas culturais unilaterais, voltadas apenas ao entretenimento, não desenvolvem o ser; apenas lhe promovem prazer passageiro. Mas será que se deseja, de fato, um povo desenvolvido?

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