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Educação

Professores brasileiros perdem uma hora de aula por dia para manter a disciplina, aponta pesquisa internacional

Dados são da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, Talis


Por Redação Eixos Notícias

No Brasil, os professores gastam, em média, 21% do tempo de aula tentando manter a ordem em sala, segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, divulgada nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento revela um cenário preocupante sobre as condições de ensino e o ambiente escolar brasileiro.

O dado significa que, a cada cinco horas de aula, uma hora é perdida apenas para conseguir a atenção dos estudantes. A média é superior à dos países da OCDE, onde o tempo desperdiçado com questões de disciplina é de 15%.

Caetano Barata, colunista de Eixos Notícias, disse que "É impossível ler esses números sem refletir sobre o que a escola pública brasileira se tornou, e evidentemente, o quanto ainda precisa evoluir. A perda de 21% do tempo de aula não é apenas um dado estatístico; é o sintoma de um modelo escolar que não dialoga com as necessidades emocionais, cognitivas e culturais dos alunos.

A escola, em sua maioria, não é lúdica, não tem espaços múltiplos de aprendizagem e continua presa à lógica da sala de aula como única arena do saber. Faltam pátios educativos, ateliês, laboratórios vivos e ambientes que despertem a curiosidade e o protagonismo do estudante.

Enquanto isso, o cotidiano escolar ainda ecoa comandos antiquados como “fique sentado” e “cala a boca”, expressões que simbolizam uma pedagogia do silêncio e da contenção, não da descoberta.

A pesquisa, realizada com professores e diretores do ensino fundamental II (6º ao 9º ano), mostra ainda que 44% dos docentes brasileiros afirmam ser frequentemente interrompidos pelos alunos, mais que o dobro da média internacional (18%).

O levantamento também aponta que 21% dos professores brasileiros classificam o trabalho como muito estressante, número semelhante à média da OCDE (19%), mas que cresceu sete pontos percentuais desde 2018. Os impactos à saúde são significativos: 16% relatam prejuízos à saúde mental e 12% à saúde física, ambos índices superiores aos registrados nos demais países avaliados.

Em relação à valorização profissional, apenas 14% dos educadores brasileiros acreditam ser reconhecidos pela sociedade, apesar de ter havido leve melhora desde 2018, o número ainda está abaixo da média internacional (22%).

Mesmo diante desse cenário, 87% dos professores afirmam estar satisfeitos com a profissão, e 58% dizem que o magistério foi sua primeira escolha de carreira.

A Talis é um dos mais amplos estudos internacionais sobre o cotidiano docente. No Brasil, a pesquisa foi conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com apoio das secretarias de educação estaduais e municipais.

"As ideias de Maria Montessori, que defendia ambientes preparados para o aprendizado autônomo e prazeroso, seguem sendo exceção e não regra. A escola não pode ser apenas sala de aula e palavras de ordem, precisa ser experiência, movimento, escuta e encantamento.

O desafio é repensar o espaço e o sentido da educação pública, para que o tempo gasto com disciplina dê lugar ao tempo de aprender com liberdade, criatividade e afeto", finalizou Caetano Barata, colunista de Eixos Notícias, licenciado em Pedagogia.


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