Gestão de Simões Filho discute atrações do Arraiá das Viúvas 2026 e artistas locais pedem revisão nos cachês

O legado dos últimos 12 anos é não ter comércio a tarde/noite

Por Redação Eixos Notícias em 10/03/2026 às 10:18:15

A Prefeitura de Simões Filho, administrada pelo prefeito Del (Devaldo Soares), iniciou as discussões sobre a grade de atrações do Arraiá das Viúvas 2026. O planejamento do tradicional festejo junino reacendeu um debate recorrente no município: a diferença entre os cachês destinados a atrações de maior projeção e os valores pagos às bandas locais.

Segundo representantes da cena cultural da cidade, os cachês oferecidos às bandas do município têm sido considerados baixos e incompatíveis com os custos reais de produção. Despesas com ensaios, músicos, equipe técnica, transporte, estrutura e tributos acabam comprometendo a viabilidade financeira das apresentações, especialmente quando comparadas aos valores mais elevados tradicionalmente praticados para artistas de fora.

O tema ganhou força após manifestação pública do artista e empresário Fernandinho Bezerra, líder da banda Frutos Nordestino, que defendeu maior equilíbrio na distribuição dos recursos investidos na festa.


Bezerra declarou:
“O debate sobre os cachês milionários no São João precisa ir além dos números. Não é só sobre estabelecer um teto de 700 mil reais. É sobre qual cultura estamos financiando e quem está ficando de fora dessa conta. O São João nasceu do forró. Nasceu do artista regional, do sanfoneiro, do cantor local, do produtor independente. É essa cadeia cultural que sustenta a identidade nordestina e mantém viva a tradição. Quando um município compromete seus cofres com cachês milionários, o impacto não acaba quando a festa termina. Ele continua depois, na saúde, na educação, na infraestrutura, na cultura que deixa de ser fomentada.
Valorizar o artista do forró não é diminuir o evento - é fortalecer a essência dele. Um artista regional entrega espetáculo, movimenta a economia local, gera emprego e renda e cobra um valor justo, sem sangrar o orçamento público. O produtor independente, o artista local e regional fazem cultura com responsabilidade, com pertencimento e sem deixar dívida para o município pagar depois. O São João não precisa ser refém de cifras astronômicas para ser grandioso. Ele precisa ser autêntico, inclusivo e financeiramente responsável. Que os gestores tenham a sensibilidade de entender que preservar a cultura é também preservar o dinheiro público.
Valorizar o forró é valorizar nossa história, nossa identidade e o nosso povo.”

A manifestação tem sido vista por integrantes do setor cultural como um chamado ao diálogo institucional. Para artistas e produtores, a construção do Arraiá das Viúvas 2026 pode representar uma oportunidade de estabelecer critérios mais transparentes de contratação e uma política de valorização contínua da produção local.

Especialistas em gestão cultural destacam que o equilíbrio entre atrações de apelo comercial e artistas da própria cidade não é apenas uma questão simbólica, mas também estratégica: fortalece a economia criativa local, amplia a circulação de renda no município e preserva a identidade cultural da festa.

Até o momento, a Prefeitura segue em fase de planejamento das atrações. A expectativa da classe artística é que o diálogo seja ampliado antes da definição final da programação, consolidando um modelo que una tradição, responsabilidade fiscal e valorização dos talentos de Simões Filho.

Nosso colunista, Caetano Barata definiu que:

O debate sobre os cachês do Arraiá das Viúvas antecipam a necessidade de discutir um problema maior em Simões Filho: a falta de uma política contínua de incentivo à economia cultural e ao comércio local ao longo de mais de 12 anos. Hoje a cidade apresenta um cenário preocupante, em que por volta das 15 horas o centro já se encontra praticamente deserto e, à noite, poucos empreendimentos sobrevivem, em sua maioria serviços de delivery que ainda enfrentam prejuízos causados por trotes. A definição antecipada da programação do evento é essencial para que comerciantes possam se planejar, adquirir produtos mais baratos e se preparar para atender à demanda dos festejos. Além disso, é necessário que o poder público estabeleça editais para fomentar arraiais juninos nos bairros, fortalecendo a cultura popular e distribuindo melhor os benefícios econômicos do ciclo junino, especialmente considerando que o evento principal ocorre no período de São Pedro. Discutiremos valor de cachês e não pagos em outra oportunidade.

Com a palavra a administração do governo Devaldo Soares (44).

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