Por Caetano Barata
Em tempos de redes sociais aceleradas e manchetes apressadas, parece que uma simples conta de divisão pode virar motivo de confusão - ou até de “escândalo”. Foi o que aconteceu após a divulgação da licitação da Prefeitura de Simões Filho, sob a gestão do prefeito Devaldo Soares, para a tradicional distribuição de peixe durante a Semana Santa.
A iniciativa, comum em diversas cidades brasileiras, tem um objetivo claro: garantir alimento à população em um período simbólico, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade. Até aí, nada de novo. O problema começou quando alguns comentários e análises superficiais passaram a questionar “quantidade”, “valores” e “alcance” - aparentemente sem o incômodo de pegar uma calculadora.
Vamos ao básico.
Se a prefeitura investe cerca de R$ 1,3 milhão na compra de peixe, e considerando preços realistas de mercado para aquisição em grande escala (entre R$ 10 e R$ 20 por quilo), estamos falando de algo entre 65 e 130 toneladas de peixe.Agora vem a parte realmente desafiadora para alguns analistas de ocasião: dividir.Se cada família ou pessoa recebe 2 kg, isso significa atender algo entre:• 32.500 pessoas (no cenário mais caro)• até 65.000 pessoas (no cenário mais econômico)
Sim, isso mesmo. Não é uma “suposição”, nem “narrativa”: é matemática de ensino fundamental.
Ainda assim, surgem questionamentos como se os números fossem um mistério insondável, digno de investigação complexa. Talvez falte menos “denúncia” e mais atenção na aula de frações.
É claro que toda gestão pública deve ser fiscalizada - isso é saudável e necessário. Mas há uma diferença considerável entre fiscalização séria e ruído baseado em desconhecimento básico. Quando a crítica ignora operações simples, o debate deixa de ser técnico e passa a ser apenas barulho.
No caso de Simões Filho, a lógica da aquisição segue um padrão já conhecido: compra em volume, redução de custo por quilo e distribuição ampla. Um modelo que, goste-se ou não da gestão, é replicado em inúmeras cidades do país há décadas. Os opositores, que tentam uma narrativa de difamação deveriam ter mais cuidado com a própria autoimagem, pois, quando hoje tentam uma distorção da credibilidade, amanhã podem voltar a ser alvos.
No fim das contas, talvez o maior desafio não seja distribuir peixe - mas sim garantir que o básico da matemática também chegue a todos os que opinam sobre o assunto.