O fim de semana foi daqueles que fazem o torcedor baiano alternar entre o grito engasgado e o suspiro de alívio. De um lado, o Bahia fez a Arena Fonte Nova parecer um baba de aposentados com 2 expulsos do lado do mengão que não viu Arraca brilhar. Ceni quebrou um jejum de nunca ter vencido ao rubro-negro carioca. Do outro, o Vitória saiu do Rio com o gosto amargo de quem lutou bravamente, mas viu o apito jogar de camisa cruzmaltina.
O Bahia mostrou que não se intimida diante dos gigantes da planície carioca. Enfrentar o Flamengo, nem para o mais otimista, seria de triunfo; em sua casa é, para muitos, convite para o sofrimento; mas o Tricolor de Aço resolveu fazer história. Um a zero seco, preciso, com cara de quem planejou cada toque e cada segundo de sofrimento. O gol, verificado no VAR, não encontrou falta; desses que valem mais do que três pontos, tirou o Flamengo da liderança e colocou o nome do Bahia entre os assuntos mais comentados do país. Houve suor, houve alma, e houve, principalmente, vontade.
Enquanto isso, o domingo reservava ao torcedor rubro-negro baiano um roteiro mais cruel. Vitória e Vasco fizeram um duelo de sete gols, uma partida vibrante, dessas que o coração do torcedor implora para acabar logo; não por tédio, mas por pura sobrevivência. O problema é que o espetáculo veio com um tempero amargo: a arbitragem, visivelmente confusa, inclinou o campo para o lado carioca. O apito tardou, e o Vasco agradeceu. Quatro a três no placar, mas a sensação de injustiça ficou pesando no ar.
No balanço do fim de semana, o futebol da Bahia mostrou duas faces: a do brilho e a da resistência. O Bahia prova que pode desafiar os poderosos com futebol de conjunto e coragem. O Vitória, mesmo ferido, demonstra que o espírito de luta ainda pulsa, mesmo quando o juiz parece enxergar de um só olho.
No fim, entre a festa tricolor e a revolta rubro-negra, fica a lição: o futebol baiano continua vivo, vibrante e teimoso, como quem insiste em sonhar num campo desigual, mas ainda assim, joga bonito.
Caetano Barata