Por Ivan Brito, jornalista
Enquanto o sol ainda escalava o céu de Salvador, o oceano fervilhava. Relatos de profundezas abissais contam que, para garantir cada peça capturada, nossos mergulhadores tiveram que encarar o impossível. Dizem que o Leviatã emergiu das fossas oceânicas com olhos de fogo, tentando guardar os tesouros de Netuno. Nossos atletas lutaram contra a fúria das Escilas e Caribdis, desviaram do canto hipnótico das Sereias e venceram monstros da mitologia grega que há milênios não ousavam subir à superfície. Cada apneia foi um pacto com a coragem; cada disparo, um ato de bravura contra o desconhecido.
O Senhor do Tridente
Entre tantos heróis, um nome ecoará nas tabernas e portos: Felipe Tomé. Em um combate digno de um semideus, Tomé não apenas pescou; ele arrancou o Tridente das mãos do próprio Aquaman, provando que a determinação de um homem das águas baianas é superior à realeza da Atlântida. Com maestria técnica e nervos de aço, ele sagrou-se o grande campeão desta primeira etapa, colocando seu nome no topo do Olimpo da pesca subaquática.
O Cruel Destino de um Guerreiro: O Relógio de Cronos
Contudo, nem toda batalha é vencida apenas com força. O tempo, esse deus implacável conhecido como Cronos, reivindicou sua vítima. O atleta Cabeça, que demonstrou uma perícia técnica assustadora e capturou espécimes que o colocariam na liderança isolada do evento, sofreu o golpe mais amargo da jornada. O regulamento, sagrado como as leis de Olimpo, exigia o toque em terra firme às 14:30h.
Por um único e agonizante minuto - às 14:31h - o destino de Cabeça foi selado com a eliminação. O que seria uma vitória esmagadora para a dupla formada por ele e Felipe Tomé, que os colocaria em uma vantagem astronômica, tornou-se uma lenda de "quase". Um lembrete sombrio de que, no mar, a precisão do tempo é tão vital quanto o oxigênio nos pulmões.
O Ocaso dos Deuses e a União dos Homens
Em meio ao aroma de uma deliciosa fritada dos peixes frescos e o tilintar de copos entre amigos, celebramos o fortalecimento dos laços. Ali, entre sorrisos e histórias de pescador, onde todas eram verdadeiras, entendemos que o ambiente marinho nos oferece muito mais que peixe; ele nos oferece bem-estar, saúde e a renovação de amizades que são mais sólidas que as rochas da costa.
O Chamado para Busca Vida e o Dilema dos Guardiões
O aviso está dado. Os monstros recuaram, mas apenas para se reorganizar. A segunda das cinco etapas desta jornada épica já tem data e local: 18 de abril, na Praia de Busca Vida. Convidamos a todos - veteranos e novos aspirantes a heróis - a ficarem atentos. Contudo, saibam que as águas de Busca Vida escondem mistérios que nem todos poderão desvendar.
A primeira nau já partiu e seus portões se fecharam. Agora, aqueles que perderam o embarque inicial e hesitaram diante do desconhecido, clamam e suplicam nas margens por uma nova chance após testemunharem a glória de Itapuã. Mas o destino desses retardatários não está mais nas mãos dos deuses, e sim dos Capitães e Guardiões da jornada - os próprios atletas inscritos. São eles, os detentores do regulamento, que decidirão em conselho se permitirão novas inscrições ou se o privilégio da batalha permanecerá restrito aos que tiveram coragem desde o primeiro dia.
Aos que estão de fora: aguardem o veredito dos veteranos. Aos que já estão a bordo: preparem-se, pois a glória que aguarda os corajosos é eterna, mas a entrada no Olimpo é para poucos. Não tenham medo, mas respeitem a soberania daqueles que já enfrentaram o Leviatã.