A ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante cerimônia de envio do texto do novo Plano Nacional de Cultura ao Congresso Nacional. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (17), que o novo Plano Nacional de Cultura (PNC) busca criar condições para que comunidades de todo o país explorem plenamente seu potencial cultural. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, o governo enviou o documento ao Congresso Nacional para análise. Elaborado pelo Ministério da Cultura (MinC), o plano irá orientar as políticas culturais brasileiras pelos próximos dez anos.
Lula defendeu que a cultura seja “revolucionária”, construída com participação social e livre de imposições de interesses comerciais. Segundo ele, o objetivo é transformar o setor em um movimento de base, popular e dinâmico.
“Em vez de ter aquelas coisas muito encalacradas, muito fechadas, aquelas redomas onde tudo funciona certinho, a gente quer uma espécie de guerrilha democrática cultural. As pessoas precisam ter liberdade para fazer e provocar que outros façam acontecer a cultura”, declarou o presidente.
O evento reuniu cerca de 600 agentes territoriais e representantes dos comitês de cultura de todos os estados, integrantes do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC). Para Lula, o grupo simboliza a participação popular no processo de formulação de políticas públicas. Ele convocou os presentes a assumirem papel ativo na formação crítica da sociedade.
“Vocês têm que ser a base da conscientização, da politização de uma nova sociedade para romper definitivamente com o negacionismo e o fascismo”, afirmou.
Durante a cerimônia, Lula também assinou o decreto que cria a Comissão Intergestores Tripartite, instância responsável por acompanhar a execução do orçamento da cultura e articular ações entre União, estados e municípios.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, comparou o novo modelo ao Sistema Único de Saúde (SUS), ressaltando sua lógica federativa.
“Será o nosso SUS da cultura, amarrando as responsabilidades das cidades, dos estados e do governo federal. Essa articulação é essencial para materializar a força da cultura brasileira”, afirmou.
Segundo a ministra, a construção do plano contou com ampla participação social, envolvendo agentes territoriais, comitês de cultura, pontos de cultura, conselhos participativos e institutos federais. “É assim que aproximamos os territórios das comunidades de maneira democrática e inclusiva”, destacou.
O secretário executivo do MinC, Márcio Tavares, explicou que o PNC é estruturado em oito princípios e 21 diretrizes, tendo como eixo central o direito à cultura.
“O plano afirma o direito de todas as pessoas ao acesso e à produção cultural, à arte, à liberdade de criar sem censura, à memória e ao patrimônio, à participação e à acessibilidade, além dos direitos autorais e da remuneração justa aos criadores”, disse.
Tavares destacou ainda avanços como a incorporação de temas transversais, incluindo o reconhecimento das matrizes indígenas e afro-brasileiras, o combate a barreiras estruturais de acesso e o compromisso com a diversidade territorial e a conexão entre gerações.
O novo PNC estabelece oito eixos estratégicos para orientar a política cultural na próxima década:
• gestão e participação social;
• fomento à cultura;
• patrimônio e memória;
• formação;
• infraestrutura e equipamentos culturais;
• economia criativa e solidária, trabalho e renda;
• cultura, bem-viver e ação climática;
• cultura digital e direitos digitais.
Com o envio ao Congresso, o governo espera consolidar um marco de longo prazo para o fortalecimento da cultura como direito, expressão democrática e motor de desenvolvimento social.