A população de Cajazeiras, um dos bairros mais populosos de Salvador, tem reforçado um conjunto de reivindicações consideradas estratégicas para melhorar a qualidade de vida na região. Entre as principais demandas estão a implantação ou fortalecimento de uma policlínica, a criação de acessos seguros ao metrô e ao futuro VLT da Avenida 29 de Março, além da urbanização e pintura dos conjuntos habitacionais do bairro.
Saúde: policlínica é considerada essencial
Com uma população numerosa e alta demanda por serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), Cajazeiras enfrenta dificuldades históricas no acesso a atendimentos especializados. Moradores relatam a necessidade de longos deslocamentos para consultas, exames e diagnósticos, o que afeta principalmente idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores.
A implantação de uma policlínica é vista como uma solução estruturante. O equipamento permitiria concentrar, em um único local, especialidades médicas como cardiologia, ortopedia, ginecologia e endocrinologia, além da realização de exames como ultrassonografia, raio-X, mamografia e eletrocardiograma. A expectativa é reduzir filas, evitar a superlotação de hospitais e garantir atendimento mais rápido, humanizado e integrado às unidades de saúde do próprio bairro.
Para lideranças comunitárias, Cajazeiras funciona como “uma cidade dentro de Salvador” e precisa de equipamentos públicos compatíveis com sua dimensão e importância social.
Mobilidade: bairro segue isolado dos grandes modais
Outro ponto crítico é a mobilidade urbana. Apesar da construção de um novo sistema viário ligando Cajazeiras à Avenida 29 de Março, o bairro continua sem acesso direto ao metrô e ao futuro VLT. A própria Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) reconhece que a obra apenas reduziu a distância, sem garantir ligação física aos modais.
A futura estação VLT Cajazeiras, por exemplo, ficará no eixo Águas Claras–Castelo Branco, fora do bairro, exigindo travessias seguras para que a população possa utilizá-la. A Avenida 29 de Março, por ser uma via de alta velocidade, é apontada como uma barreira urbana que expõe pedestres a riscos constantes.
Entre as principais reivindicações estão a construção de passarelas, calçadas acessíveis, ciclovias, reforço da iluminação pública, pontos de ônibus integrados às estações e sinalização adequada. Segundo estimativas, mais de 150 mil moradores da região ampliada de Cajazeiras dependem diariamente do transporte público.
Habitação: projeto busca devolver dignidade aos conjuntos
Além de saúde e mobilidade, a requalificação dos conjuntos habitacionais é tratada como prioridade. Muitos desses conjuntos apresentam fachadas deterioradas, infiltrações, áreas comuns inseguras, iluminação precária e falta de acessibilidade, o que contribui para a sensação de abandono e insegurança.
O projeto comunitário apresentado propõe ações de urbanização, reforma estrutural e pintura, com foco na valorização do patrimônio público e na melhoria das condições de moradia. Entre as medidas previstas estão a recuperação de escadas e telhados, implantação de áreas de convivência, paisagismo, arborização e ações educativas para conservação dos espaços.
A iniciativa prevê a participação direta dos moradores, por meio de planejamento participativo e mutirões, além de parcerias com os poderes públicos.
Apelo aos governos
As demandas de Cajazeiras são direcionadas ao Governo Federal, ao Governo do Estado da Bahia e à Prefeitura de Salvador. Para a comunidade, investir em uma policlínica, garantir acessibilidade aos modais de transporte e requalificar os conjuntos habitacionais não são ações isoladas, mas parte de uma política integrada de inclusão urbana.
“Sem saúde próxima, mobilidade acessível e moradia digna, não há desenvolvimento real”, defendem representantes locais. A expectativa é que os projetos avancem e transformem Cajazeiras em um bairro mais justo, conectado e valorizado.