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O pianista pernambucano Amaro Freitas alcançou um marco histórico para a música brasileira ao ser anunciado como vencedor do Prêmio Paul Acket em 2026. Com a conquista, ele se torna o primeiro brasileiro a receber a distinção, considerada uma das mais relevantes no cenário do jazz contemporâneo.
A premiação é concedida anualmente durante o NN North Sea Jazz Festival, realizado na cidade de Roterdã, na Holanda. O prêmio reconhece artistas cuja obra apresenta excelência e originalidade, mas que ainda carecem de maior reconhecimento global. Criado em homenagem ao fundador do festival, Paul Acket, o título traz como subtítulo oficial “Artist Deserving Wider Recognition”.
A escolha do vencedor é feita por um júri internacional especializado, e a entrega ocorre durante o próprio festival, no dia 11 de julho, ocasião em que Amaro Freitas também se apresenta com seu trio. O pianista passa a integrar uma lista seleto de premiados, ao lado de nomes como Sun-Mi Hong, vencedora em 2025, Kit Downes, premiado em 2024, e Julian Lage, vencedor em 2019.
Natural da periferia do Recife, no bairro de Nova Descoberta, Amaro Freitas iniciou sua trajetória musical na igreja evangélica, ambiente onde teve os primeiros contatos com o piano. Posteriormente, conquistou uma bolsa de estudos no Conservatório Pernambucano de Música, consolidando sua formação.
Sua obra se destaca por uma linguagem singular que articula o jazz contemporâneo com referências afro-brasileiras, indígenas e elementos da cultura popular nordestina. Em uma década de carreira, o artista lançou quatro álbuns e ganhou projeção internacional, sendo destaque em veículos como The New York Times, The Guardian e DownBeat Magazine.
Em publicação nas redes sociais, o pianista celebrou a conquista com uma mensagem de forte dimensão simbólica: “Esse prêmio não é só meu, é de todo Brasil, é de Pernambuco. É sobre ser possível um menino de Nova Descoberta ser premiado em algo tão grandioso e importante. Viva o Brasil e sua cultura”, escreveu.