@ada.anjoss
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mateus 6:19-21)
Qual o problema de ser pobre ou estar no nível da sobrevivência? É não poder ajudar a si nem a ninguém: filhos, esposa, irmãos, mãe ou pai. Só se sabe o quanto o dinheiro é uma bênção quando se precisa dele, quando algo drástico acontece e se fica à mercê da vida, porque os que estão em volta também são pobres e não podem ajudar. As graças de Deus não servem para pagar boletos; elas têm outras funções. Se ainda não entendeu, sugiro estudar sobre o assunto, pois o material se resolve com o material, e o espiritual, com o espiritual.
A energia que move o mundo não é o amor, mas o dinheiro. Com o dinheiro, o amor se expressa e trabalha melhor; afinal, um pai sem recursos, apenas com o seu amor, não conseguirá proporcionar uma boa educação para o seu filho.
O artista (músico) de sucesso financeiro pode impactar o mundo. Muitos artistas, em geral, se comportam assim. Se ele tivesse apenas o amor ou o desejo de ajudar, como muitos que dizem: “Ah, se eu tivesse condições, colocaria meu sobrinho na aula de música”, ele não impactaria a realidade coletiva.
Milhares de instituições são sustentadas não pelo amor, mas pelo dinheiro e pela racionalidade. O amor será expresso por aquelas pessoas que trabalham nessas instituições e podem alterar a realidade dos que convivem com elas.
Essa ação, unindo dinheiro e arte, pode ser interpretada como responsabilidade artística. Cantar só por cantar ou tocar só por tocar, sem se responsabilizar pela forma como impactamos a vida das pessoas, é ser um artista irresponsável, e a irresponsabilidade se expressa de muitas formas.
O mesmo vale para agentes e secretários culturais. Assumir cargos e responsabilidades apenas para "tapar buraco", ser político, participar de esquemas corruptos ou não atuar de forma condizente gera um impacto social negativo.
Mas eu, sendo artista, agente, empresário ou secretário de cultura, estou consciente dos impactos causados pela minha arte e pelo meu modo de vida e responsabilidades? Causo um impacto positivo, negativo ou não faço diferença?
E como é mesmo que se acumula tesouro no céu? Já descobriu? Bem, essa é outra discussão longa e profunda que poucos param pra raciocinar, porque a palavra galardão, cegou a racionalidade.