Uma retórica de Ada Anjoss, @ada.anjoss
Quando paramos alguns segundos em um beco, viela, bar, igreja ou numa praça viúva da arte, os ouvidos são enxertados de dor, do lamento de um povo cansado, revoltado e desprovido do conhecimento dos direitos básicos para ser sua espada libertadora.
A teoria nada mais é do que a materialização organizada de eventos anímicos ou materiais, percebidos e entendidos por quem está capacitado, e há muitos episódios teorizados com porcentagens elevadas de divagação perceptiva.
Mudanças só acontecem com estratégias e manobras políticas bem elaboradas, antecipativas, estruturadas, prevendo acontecimentos, retaliações e, acima de tudo, com planejamento e inteligência. A ausência de tais fundamentos estratégicos coletivos nos emboca num labirinto de angústia e ilusão coletiva, livros e mais livros de teorias sobre o quanto sofremos e o quanto não sabemos lutar.
As políticas culturais e as políticas públicas de SIMÕES FILHO são um antro, uma carroça velha e antiga de levar feno para os bois, a população catequizada e convertida ao não progresso, à velharia, onde, na verdade, deveria ser o ateliê de um artista plástico que usa o aparente “lixo” para construir coisas belas. Mas, se o município não sabe cuidar do seu universo material, como cuidar da subjetividade de um povo?
As ações de políticas culturais e políticas públicas de Simões Filho desconhecem ou rejeitam o conceito de CIDADE INTELIGENTE, desconhecem ou REJEITAM a INTEROPERABILIDADE, mas valorizam os néscios; quanto mais néscio for o cidadão, mais é valorizado para assumir os cargos públicos, pois PARA QUE SERVE O ESTUDO, A TÉCNICA, A SENSIBILIDADE, A EMPATIA, A INTELIGÊNCIA, SE TEMOS DEUS PARA CONSULTAR E A NOSSO FAVOR?
Longe de mim questionar Olorum, ou Yavê, ou Tupã, QUE ESTÁ NA CIDADE DE SIMÕES FILHO, AINDA NÃO É CHEGADA A MINHA HORA; entretanto, ver o povo em seu estado de miséria social, e eu, sendo parte do povo, me questiono de que servem orações não atendidas. Mas, sensato seria um pouco de inteligência aplicada sem vaidade.
Vivemos uma complexidade, ou os governantes carecem de inteligência? As duas coisas, mas há o prazer em ver o povo pobre, sem conhecimento, desnutrido intelectualmente, mais fiéis aos seus deuses ou Deus, que até hoje não fizeram nada por ninguém nem vão fazer, até que o povo se levante da morbidez moribunda. Há muita teoria e pouca prática. Há muita teoria e pouca força. Há muita teoria e pouco conhecimento. Há muita teoria e pouca união.
Se os pérfidos se unem e são peritos na arte da manipulação, é porque o povo não sabe o que fazer, mas é bom em falar. E quem pode confiar em um povo que se vende e trai fácil a causa coletiva, quando as manobras de desarticulação são realizadas com poucas moedas para engodar um cidadão que precisa comprar o pão para seu lar, mesmo que seja o padeiro inimigo que o fez? Melhor um pão amassado pelo diabo e alimentar sua família que nenhum.
Políticas públicas não são um brinquedo para fazer o que se quer, mas, assim tem acontecido em muitos municípios. Políticas públicas são um mecanismo sistêmico para que a inteligência de homens e mulheres devotos ao crescimento, à intelectualização, ao bem-estar holístico e ao progresso de um povo seja exercida.