Jerônimo não vê ACM Neto pelo retrovisor e é reeleito governador da Bahia no primeiro turno

Governador amplia vantagem sobre principal adversário, repete vitória de 2022 e garante mais quatro anos no Palácio de Ondina; resultado também fortalece o grupo petista com Rui Costa e Jaques Wagner eleitos para o Senado

Por Redação Eixos Notícias em 05/10/2026 às 09:55:43

Governador amplia vantagem sobre principal adversário, repete vitória de 2022 e garante mais quatro anos no Palácio de Ondina; resultado também fortalece o grupo petista com Rui Costa e Jaques Wagner eleitos para o Senado

O eleitorado baiano voltou às urnas neste domingo (4) e escreveu mais um capítulo da disputa entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil). Desta vez, porém, a corrida não terminou em segundo turno. Com a totalização dos votos, Jerônimo foi reeleito governador da Bahia no primeiro turno, consolidando sua permanência no comando do Estado por mais quatro anos.

Segundo os dados divulgados pela Justiça Eleitoral, Jerônimo alcançou 55,80% dos votos válidos, enquanto ACM Neto ficou com 43,73%. O resultado confirmou a vitória do governador e estabeleceu uma diferença superior a 12 pontos percentuais entre os dois principais concorrentes. O Tribunal Superior Eleitoral registrou a reeleição de Jerônimo ainda na noite de domingo.

A imagem que emerge das urnas é a de um governador que, desta vez, não precisou olhar pelo retrovisor para procurar ACM Neto. O adversário permaneceu na disputa até o fim, mas não conseguiu alcançar o atual governador. A metáfora ganha força porque a eleição de 2026 repetiu o confronto de 2022, quando os dois também protagonizaram a disputa pelo Palácio de Ondina, mas em circunstâncias diferentes.

Em 2022, Jerônimo precisou chegar ao segundo turno para derrotar ACM Neto. Quatro anos depois, o cenário mudou: a vantagem construída pelo candidato petista foi suficiente para encerrar a disputa já na primeira rodada. A vitória representa, portanto, não apenas uma reeleição, mas uma ampliação da distância eleitoral em relação ao principal adversário.

Uma vitória que atravessa Salvador


O resultado estadual, entretanto, não significa que ACM Neto tenha perdido força em todos os territórios. Salvador permaneceu como um dos principais redutos eleitorais do candidato do União Brasil. Na capital baiana, ACM Neto liderou a votação para governador, alcançando cerca de 54,3% dos votos válidos na apuração divulgada pelo UOL com base nos dados do TSE.

O contraste entre Salvador e o resultado estadual evidencia uma característica importante da eleição: a força política de ACM Neto na capital não foi suficiente para compensar a vantagem de Jerônimo no conjunto do Estado.

Em outras palavras, Neto conseguiu permanecer à frente em importantes centros eleitorais, mas Jerônimo construiu uma maioria estadual mais ampla.

O fator Lula e a continuidade do projeto petista


A eleição também reafirmou a força da aliança entre Jerônimo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia. Durante a campanha, o governador explorou a associação entre seu projeto estadual e o governo federal, enquanto ACM Neto procurou concentrar sua campanha nas críticas à administração estadual, especialmente na área da segurança pública.

A estratégia petista encontrou respaldo nas urnas. A reeleição de Jerônimo mantém o Partido dos Trabalhadores no comando do Governo da Bahia e prolonga uma sequência de governos estaduais petistas iniciada em 2007.

O resultado também tem uma dimensão nacional. Após a vitória, Jerônimo afirmou que sua base política estará mobilizada para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

PT também conquista as duas vagas ao Senado


A vitória de Jerônimo veio acompanhada de outro resultado expressivo para o grupo político que governa a Bahia.

Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, foram eleitos para as duas vagas baianas no Senado Federal. Rui Costa foi o mais votado, enquanto Wagner garantiu a reeleição.

O resultado produz uma fotografia política bastante favorável ao grupo petista: Jerônimo permanece no Governo da Bahia, enquanto dois de seus principais aliados ocuparão as cadeiras destinadas ao Estado no Senado.

A composição fortalece a capacidade de articulação política do grupo tanto em Brasília quanto na Bahia.

O retrovisor e o futuro


A metáfora do retrovisor, nesse cenário, também serve para explicar o significado político da eleição.

Durante a campanha, ACM Neto representou novamente a principal alternativa à continuidade do PT no Governo da Bahia. Era uma disputa que carregava a memória de 2022 e colocava frente a frente os mesmos protagonistas.

Mas as urnas de 2026 produziram uma resposta diferente daquela que poderia ser sugerida pela intensidade da campanha: Jerônimo não apenas venceu novamente ACM Neto; desta vez, venceu sem precisar de uma segunda etapa eleitoral.

O governador agora terá pela frente o desafio de transformar a vitória eleitoral em avaliação positiva de governo. Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura e execução de grandes projetos continuarão entre os temas capazes de determinar o julgamento de seu segundo mandato.

Para ACM Neto, o resultado representa uma nova derrota para Jerônimo e mantém aberta uma questão sobre o futuro de sua trajetória eleitoral. Embora tenha preservado uma votação expressiva e demonstrado força especialmente em Salvador e em segmentos do eleitorado baiano, não conseguiu transformar essa força em vitória estadual.

Na estrada política da Bahia, a eleição de 4 de outubro deixou uma imagem simbólica: Jerônimo Rodrigues segue acelerando para mais quatro anos no Palácio de Ondina, enquanto ACM Neto, desta vez, ficou definitivamente no retrovisor.

Com informações do Tribunal Superior Eleitoral, Agência Brasil, CNN Brasil e UOL.

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