A canção O Baiano Tem o Molho, de O Kannalha, conquistou o título de Música do Carnaval no Correio ao vencer o Troféu Correio Folia 2026 com 35,91% dos votos. O segundo lugar ficou com Panamera, de Tony Salles, que alcançou 29,71%. Já a terceira posição foi ocupada por Vampirinha, de Ivete Sangalo, com 22,97%.
A votação foi encerrada na terça-feira (17), às 23h59, após mais de um mês de disputa acirrada iniciada em 15 de janeiro. A enquete ultrapassou a marca de 1,4 milhão de votos, consolidando o prêmio como um dos principais termômetros da preferência popular no Carnaval de Salvador.
A notícia da vitória chegou ao artista enquanto ele se apresentava em Bacabal, no Maranhão. Durante o show, O Kannalha interrompeu a apresentação para celebrar com o público. “Aí, família, estamos aqui em Bacabal (MA), faz muito barulho aê! Aí CORREIO, muito obrigado! O Kannalha, música do Carnaval no CORREIO. Não só estourada no Carnaval de Salvador, mas em todo o Brasil”, declarou no palco, levando os fãs à euforia.
Desde os primeiros dias, a votação foi caracterizada por forte mobilização digital de fã-clubes e sucessivas mudanças na liderança. Inicialmente, a base de fãs de Claudia Leitte impulsionou Plugin da Bagaceira ao topo. Pouco depois, o engajamento dos admiradores de Ivete Sangalo levou Vampirinha à liderança no fim de janeiro, posição que manteve por boa parte da disputa.
A grande virada ocorreu durante o Carnaval. Na quinta-feira festiva, O Kannalha realizou uma homenagem a Preta Gil no Camarote Expresso 2222. O gesto ganhou ampla repercussão nas redes sociais e impulsionou significativamente a votação. Apenas no Instagram do Correio, o vídeo da apresentação ultrapassou 3 milhões de visualizações.
A partir desse momento, o cantor assumiu a liderança com folga. Além da visibilidade espontânea, intensificou a mobilização digital, divulgando o link oficial da enquete e publicando vídeos bem-humorados incentivando o voto. O resultado foi expressivo: 524 mil votos, consolidando o título do Troféu Correio Folia 2026.
Para o nosso colunista Caetano Barata, o êxito da canção não se explica apenas pelo refrão viral ou pela coreografia que ganhou as ruas, mas por um elemento simbólico mais profundo, disse Barata por zap:
“Eu avisei: a música ressalta o humor do baiano sem reduzi-lo a uma afirmação simplista de masculinidade. Trata-se de uma expressão popular que sai da rua para a arte, nasce do imaginário coletivo e dialoga com uma ancestralidade marcada pela ironia e pela autodefinição. Há também uma crítica implícita à ideia de felicidade permanente associada ao Carnaval, como se fosse uma propaganda que oculta o esforço de quem constrói a festa antes, durante e depois. Quem vive essa realidade sabe. O que ultrapassa essa leitura tende a resvalar no preconceito e na estigmatização de minorias.”
Segundo Barata, o sucesso da obra demonstra como o pagode baiano continua operando como linguagem social, capaz de tensionar estereótipos ao mesmo tempo em que celebra identidade, humor e resistência cultural.